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Conta-me

Conta-me
Guerra António Fernandes
dez. 2 - 1 min de leitura
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Conta-me como se tudo fosse acabar.

Conta-me depressa, agora, hoje, e sempe.

Descansa e senta-te, adormece mas conta-me. 

Conta-me das nossas brigas ao anoitecer e dos nossos beijos ao amanhecer. 

Conta-me da nossa primeira dança no fundo do quintal

Conta-me, conta-me sem parar e sem pensar. 

conta-me do cantar do passaro nas manhas da nossa janela.

Do cair do sol nas tardes de verão e do brilhar das estrelas nas noites de primavera.  

Conta-me qualquer coisa, mas lembra-te de todas as coisas.

Conta-me, conta-me tudo.

Conta-me sem soluçar, e sem parar.

 Conta-me.

 


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